Porque o Value Investing Funciona?

Gosto de coisa que não tem erro. Gosto de matar peixe a tiro preso dentro de um barril. Mas eu gosto de fazer isso depois de esvaziar a água. - Warren Buffet

Cobaias

Fomos cobaias de Value Investing. Durante anos compramos e vendemos ações sem ouvir falar em Benjamin Graham e Warrem Buffet. Nesse período não conseguimos acumular capital. A partir de 1999 foram as idéias dos dois que orientaram nossas operações: nunca mais tivemos prejuízos, nem retornos ruins.

Inimigo

Por que o Value Investing funciona? Porque a abordagem identifica, como o principal inimigo no campo de investimento em ações, o aleatório, o ocaso, o imprevisto. E porque ele se esforça tanto para combater os aspectos maléficos desse inimigo quanto para aproveitar de suas vulnerabilidades.

Mr Market

Como Benjamin Graham observou, no curto prazo o ocaso faz da bolsa uma simples pesquisa de opinião, ou, mudando a metáfora, um Mr Market que muda de humor a cada dia. Por isso o Value Investing, ao procurar oportunidades, privilegia o preço baixo sobre a hora certa, insistindo em uma grande margem entre o preço de mercado da ação e seu preço justo.

No longo prazo o aleatório age com menos força, com o mercado de ações, na analogia de Graham, funcionado mais como um balanço que pesa a qualidade das empresas, recompensado boa performance com bom preço, condenando mau comportamento com ostracismo.

E com os efeitos do aleatório se tornando ruído de fundo de uma trajetória riscada por desempenho, o Value Investing confia que no longo prazo a ação atingirá seu preço justo.

Quiromancia

Mas nem medidas defensivas no curto prazo, nem confiança no teste de tempo, terão efeito se o cálculo do preço justo for errado.

O cálculo do preço justo depende, principalmente, de uma projeção do lucro futuro de uma empresa. Infelizmente, o imprevisto faz da preparação de projeções de lucro futuro, baseadas em projeções físico-financeiras, uma atividade parecida com quiromancia.

Por outro lado, se uma empresa mostrar resistência ao aleatório, com um registro de uma ou duas décadas de lucratividade consistente e crescente, há uma chance do passado estabelecer uma base indicativa para os próximos anos. Mas somente se houver continuidade no contexto operacional, e somente se as tendências históricas forem aproveitadas com conservadorismo.

Jóias da coroa

E há o caso raro da empresa que mostra alta rentabilidade e forte crescimento de lucros durante décadas, com pouca ajuda do dinheiro emprestado. São as empresas "superiores" que passam por cima do imprevisto como tratores. Essas, sim, são as "jóias da coroa".

Como nesses casos o risco é menor, e o retorno em potencial maior, é melhor não pechinchar muito, nem vender durante uma sobrevalorização temporária: aqui o perigo maior não é sofrer prejuízos imprevistos mas perder lucros inesperados!

Conhecimento x diversificação

Ao operacionizar suas táticas contra o aleatório o Value Investing encontra um problema sério: ele depara com o fato que poucas empresas se encaixam em seus critérios de escolha. E não é possível montar uma carteira diversificada com poucas empresas.

É aqui que a abordagem em sua versão moderna mostra sua genialidade. Como compensar pela oportunidade dada ao acaso pela baixa diversificação? A resposta encontrada: pelo aprofundamento do conhecimento das empresas escolhidas. É esse, em combinação com a rigidez dos critérios de escolha, que reduz o risco de uma carteira concentrada.

Fechando o foco

Ao terminar, observamos que é muito apropriado denominar o Value Investing de Buffet de "Focus Investing". A estratégia envolve concentrar no pedacinho do universo de ações que é o mais previsível; focando em seguida nas poucas empresas de boa rentabilidade disponíveis com um desconto - ou nas pouquíssimas empresas superiores à venda a um preço em conta.

Mas para poder focar o que interessa é necessário esquadrinhar bases de dados e esmuiçar páginas de informações. Qualquer investidor sensato gosta de bom retorno com baixo risco. Mas é preciso criar as condições. Neste o Value Investing é craque. Mas não pense que peixe gordo em barril sem água vem fácil, nem todo dia. E risco de errar o alvo sempre há.

12/12/04

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